O caixa muda de tamanho
O valor creditado passa a ser o líquido da nota. Previsão de fluxo, baixa de título e conciliação bancária precisam trabalhar com um número diferente do valor da venda — e a diferença não é um desconto, é tributo.
Split payment
No split payment, IBS e CBS saem da transação antes de o valor chegar ao seu caixa. Não é uma mudança de alíquota: é uma mudança de quem recolhe, e de quando.
Hoje a empresa recebe o valor cheio da venda, apura os tributos e recolhe depois — em geral no mês seguinte. Esse intervalo entre receber e recolher é dinheiro que passa pelo caixa e pode ser usado no meio do caminho.
No split payment esse intervalo deixa de existir. É o mecanismo de arrecadação que a Reforma Tributária adota para o IBS e a CBS: a Lei Complementar 214/2025 prevê que os dois sejam separados dentro da própria liquidação financeira. O prestador de serviço de pagamento identifica os tributos na transação, uma plataforma pública confere, e cada parcela segue para o seu destino antes de o líquido chegar ao fornecedor.
A alíquota não muda por causa disso. O que muda é que o tributo nunca entra na sua conta.
Três efeitos que aparecem antes de qualquer discussão sobre carga tributária.
O valor creditado passa a ser o líquido da nota. Previsão de fluxo, baixa de título e conciliação bancária precisam trabalhar com um número diferente do valor da venda — e a diferença não é um desconto, é tributo.
Se o IBS e a CBS não vierem corretamente identificados na transação, não há o que segregar. A operação cai no procedimento simplificado do §2º-A, e a retenção passa a ser feita sobre o valor cheio.
A Plataforma Pública operada pelo Comitê Gestor do IBS e pela Receita Federal passa a fazer parte do desenho. É uma interface a mais entre o ERP, a emissão da nota e o recebimento.
O comprador paga como paga hoje — Pix, cartão ou boleto — e não faz nada diferente. O banco dele associa a nota fiscal à transação e transmite, junto com o valor, os montantes de IBS e CBS destacados.
Antes de liquidar, a plataforma pública confere se os valores batem com a nota. Com os dados válidos, a transação é separada: o IBS segue ao Comitê Gestor, a CBS à Receita Federal, e o líquido vai ao prestador que atende o fornecedor, que credita o valor e gera o crédito correspondente.
O desenho completo, etapa por etapa, está no diagrama animado da página inicial.
O procedimento simplificado não é uma alternativa confortável. Ele existe para o caso em que a operação não traz a informação fiscal necessária para a segregação — e o efeito é a retenção sobre o valor cheio da transação, não sobre o tributo devido.
Na prática, é a diferença entre um dado correto na emissão da nota e uma retenção maior do que deveria, com o crédito a recuperar depois. É por isso que o problema do split payment nasce antes do pagamento: nasce no cálculo e na emissão.
O calendário da Lei Complementar 214/2025.
CBS a 0,9% e IBS a 0,1%, compensáveis com PIS e Cofins. É a janela para integrar e testar sem risco de arrecadação.
PIS e Cofins são extintos, a CBS entra em vigor integralmente e o Imposto Seletivo começa.
O IBS sobe na mesma proporção em que ICMS e ISS caem, ano a ano. É o período em que os dois sistemas convivem.
ICMS e ISS deixam de existir. Restam IBS, CBS e IS, com o split payment consolidado.
Não. Ele muda o momento e o responsável pelo recolhimento, não a alíquota. O efeito real é sobre o fluxo de caixa: o valor que antes ficava com a empresa até o vencimento passa a sair na liquidação.
O mecanismo se aplica às operações sujeitas a IBS e CBS liquidadas por meios eletrônicos de pagamento. A forma e o alcance dependem da regulamentação, que segue em construção — e é por isso que a fase de testes de 2026 existe.
A divergência entre a nota e os valores informados na transação impede a segregação. A operação cai no procedimento simplificado do §2º-A, com retenção sobre o valor cheio.
A janela útil é 2026, enquanto as alíquotas são simbólicas e o erro não custa arrecadação. Integrar em 2027, com a CBS cheia, é fazer o mesmo trabalho com risco financeiro real.
Uma conversa de 30 minutos com um especialista fiscal para mapear onde a sua operação sente o split payment — sem compromisso.
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